Gente, li esse causo lá no blog da Gata por um fio, achei interessante, apesar de ter no texto umas palavras desconhecidas que precisei de um dicionário para entender melhor.Adoro contos e “causos” e no blog da Gata tem um melhor que o outro, de vários autores, esse é de Nico Fagundes.Uma ótima opção pra quem gosta de ler.
Causo: Os Pinicos de Coronel Bicaco
O Coronel Bicaco ganhara o seu título em revoluções e era estancieiro, ervateiro e bolicheiro forte no local onde está bela e hospitaleira cidade que tem o seu nome. Ele foi também o avô paterno do ex-governador e meu querido amigo Amaral de Souza.
Fisicamente ele se parecia com Getúlio Vargas, pequeno, forte e entroncado. Grosso como tarugo de pipa, cheio de manias e meio agarrado com os pilas, duma feita recebeu a visita dum viajante de São Paulo que trazia uma novidade para o bolicho: pinico alouçado, de vários calibres e virola de cores diferentes. E sem tampa, ao contrário daqueles antigos pinicos de louça que vinham nos enxovais fazendo jogo com a jarra, a bacia, a saboneteira e a escavadeira…
O Coronel gostou e quis comprar, mas o homem disse que só vendia por “grosa”. Aí o índio velho pensou que “grosa” era como os birivas chamavam a deuzia e encomendou doze grosas. E de cada tipo!…Surpreendido mas satisfeito, o viajante assinou o pedido.
Daí a umas semanas começou a chegar pinico no bolicho que não acabava mais! Os trens despejavam em Ijuí vagões e vagões e as comitivas de carreteiros não tinham descanso. Apavorado, o Coronel Bicaco quis parar com tudo aquilo. Chamou um “confiança”, fez um telegrama, contou as palavras direitinho e deu ao homem cavalo encilhado e o dinheiro, isto para passar o tegrama, em Ijuei, a 35 léguas de distância.
Mas deixa que o “confiança” gostava dum trago uma coisa por demais e parou num bolicho de beira de estrada, para umas que outras…Chegou à estação da viação férrea e faltou dinheiro para todo o telegrama, que era assim: “Não manda mais pinico. Pt. Coronel Bicaco”. O negócio era cortar uma palavra e a moca quis saber qual seria. Ele então disse: “Corte a primeira”. Era a palavra “não”.
Resultado: outra inundação de pinico!…Desesperado, o Coronel Bicaco redigiu outro telegrama: “Parem de mandar pinico. Pt. Coronel Bicaco”, contou o dinheiro e mandou o “confiança” de novo a Ijuí. Aí o borracho levou mais dinheiro, do dele. Estava preocupado, achando que estava chegando mais pinico por sua causa, porque deixara da outra feita uma palavrinha à toa de fora.
Aí resolveu corrigir o erro: pegou a palavra que antes tinha ficado de fora e acrescentou no telegrama de agora, satisfeito consigo mesmo. Ficou assim: “Não parem de mandar pinico. Pt. Coronel Bicaco”.
Até hoje ainda tem pinico sem uso, daqueles tempos, em Coronel Bicaco…
Vocês viram o que a falta, de uma letrinha ou palavrinha pode fazer?!
by Krika
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Por Nina em out 8, 2007 | Responder
Execelente blog,
parabéns
aproveito para sugerir um visita a um novo blog curitibano, criado pela advogada e produtora cultural, Carolina Wanderley
passe por lá, e deixe sua opinião:
http://porissonaoprovoque.blogspot.com/